18 e 19/02/2012 - CRUZÍLIA (MG): uma aventura pelo circuito das águas.
1º. Dia- São Paulo (SP) – Brazópolis (MG)
Marcos e Hugo saíram às 06h45min e andaram em ritmo leve na Dutra até Arujá onde encontraram Daniel. Seu Zé, de carro, estava lá para prestigiar a partida dos amigos. O primeiro dia de Carnaval tinha como reflexo, um trânsito muito congestionado na Via Dutra (e parado na Trabalhadores). As bicicletas trafegavam em velocidade superior à dos veículos motorizados.
Alguns motoristas saudavam os “amigos do pedal”. No “Retão da Morte”, pararam para o primeiro lanche. Seguiram até São José dos Campos, onde deixaram a Dutra. Após o viaduto sobre a linha férrea, pneu furado de... Marcos!
Poucos km após o perímetro urbano e pneu furado de... Marcos! Um reparo mal feito, outro reparo e então seguiram viagem. Pode-se afirmar que o trajeto nesta região é um dos mais belos para se pedalar: em vários pontos, a copa das árvores é tão frondosa que cobre a pista. O trio estava, em boa parte do trecho, sob um túnel verde. Nos poucos aclives que precederam a cidade de Monteiro Lobato, Marcos não teve condições de acompanhar a dupla e era esperado nos topos. Em Monteiro Lobato, lanche e hidratação: o calor estava forte. Dentro da cidade, trânsito parado de turistas. Saíram de Monteiro Lobato e mais alguns quilômetros chegaram a serra da Mantiqueira. É bom lembrar que esta rodovia é a Estrada Velha de Campos do Jordão. Os amigos estavam retornando ao trecho pedalado em 2000, mas dessa vez os 8 km foram um pouco mais difíceis de serem percorridos, principalmente para Marcos, que subiu com dificuldade. Daniel subiu à frente. Após concluir a escalada, desceram até o trevo que dá acesso ao Sul de Minas.
Em 2000, com a equipe mais bem treinada e sem pneus furados, a cidade foi atingida às três da tarde. Desta vez isso foi conseguido às 17h30min. Hugo estava preocupado com a catraca, mas Marcos o convenceu a tentar ir a Brazópolis. De Paraisópolis à Brazópolis, foram 27 km de belas paisagens, ótimo asfalto e alguns topos. Chegaram exaustos e adentraram a cidade, simpática e bela como várias pequenas cidades mineiras. Marcos se informara sobre Hotel e passaram a procurá-lo. Brazópolis: cidade bonita, mas recheada de ladeiras com calçamento de paralelepípedos. Após passarem por duas ruas, perceberam a aglomeração de pessoas dançando com música em som alto. Sim, é Carnaval! Ao se aproximarem dos foliões, algo inusitado: moças quiseram experimentar as bicicletas, mães queriam tirar fotografias dos filhos sobre as máquinas: fazia tempo que a equipe não recebia uma recepção tão calorosa.
Enfim chegaram ao Hotel Visotto. Sem reserva, o jeito foi se acomodar em quartos sem banheiros integrados. Tomaram um bom banho e saíram para jantar. Marcos foi de lanche. A cidade estava em festa e os amigos passearam por quase duas horas, vendo uma parte do desfile.
Retornaram ao Hotel. Marcos até conseguiu dormir, mas Hugo e Daniel, muito pouco. O som da folia chegava intenso ao Hotel. Na alta madrugada, o batuque deu uma trégua. Hugo achou que finalmente iria dormir, mais eis que o bloco do Galo da Madrugada começou sua folia, passando inclusive pela rua do hotel. Isso, sem contar o barulho dos foliões que estavam hospedados. Tranquila noite de sono? Não desta vez.
Total pedalado no dia: 201 km
Tempo gasto: 8h12min
Velocidade média: 24,5 km/h
2º. Dia – Brazópolis (MG) – Cruzília (MG)
Acordaram às 6h20min. Despediram-se do simpático proprietário do hotel, tomaram um rápido café da manhã e foram para a rodovia.
Na saída de Brazópolis, um aclive para esquentar as canelas. Após a subida, uma boa descida. Com a temperatura amena e o relevo pouco acidentado a equipe parecia andar mais solta. Faltando 15 km para Itajubá aconteceu um dos momentos mais marcantes desta viagem (e talvez de todas as outras). Uma simpática cadela se aproximou dos amigos num momento de parada, quis e deu carinho. Até ai tudo bem. Mas quando o trio se pôs em marcha, ela passou a acompanhá-los. Não adiantava pedir para ela parar ou voltar. Ela estava decidida a fazer parte da trupe. Depois de 1 km pedalado, a cadela estava ali, correndo ao lado dos atletas, brincando no mato, latindo com o gado. Os amigos estavam impressionados. Veio uma longa descida (2 km). Era o momento de se despedir do animalzinho. Desceram em alta velocidade e cadela desapareceu. Após o declive um aclive médio e a surpresa: a cadela apareceu e com fôlego invejável, alcançou o trio: todos perplexos. Nunca um cão acompanhou os ciclistas por 5 km! Até onde a cadelinha iria?
Enfim, outra longa descida. Finalmente a cadelinha ficou para trás. Marcos, Hugo e Daniel haviam ficado comovidos e seguiram viagem, com a imagem da cadela em suas mentes.
Em Piranguinho, se depararam com um acidente: um carro fora fechado e caiu num rio. Bombeiros faziam o resgate e o tráfego era desviado. Muitos motoristas paravam no acostamento para ver o carro no rio.
Tomaram a BR-459 rumo a Itajubá. Marcos estava melhor que no dia anterior, mas ainda assim, mais lento que Hugo e Daniel. Em Itajubá, tomaram um bom café da manhã. Passaram por um bom trecho urbano e encontraram a rodovia que levava a cidade de Maria da Fé. Tempo bom e asfalto perfeito.
No trecho a seguir, o entusiasmo de Marcos do aclive anterior acabou. A equipe prosseguiu e aos poucos a planície deu lugar a uma subida. E subida se tornou uma serra (daquelas de se respeitar). Marcos percebeu que suas forças haviam se reduzido e viu a dupla sumir à frente. Hugo, nitidamente em melhor condição, deixou Daniel para trás. No meio da serra, Hugo viu motorista de caminhonete parar ao lado de bica para pegar água e decidiu parar para abastecer a caramanhola. Daniel estava a 200m e Marcos a 1km. Todos se hidrataram e prosseguiram a subida. As posições permaneceram: Hugo na frente, Daniel um pouco atrás e Marcos muito atrás. Concluída a mais dura subida até então, a equipe prosseguiu e em pouco tempo chegou à cidade de Maria da Fé. Na entrada da cidade um pórtico dava as boas vindas e indicava a altitude de 1250 m.
Total pedalado no dia: 155 km
Tempo gasto: 7h30min
Velocidade média: 20,6 km/h
Cabe aqui uma menção especial a Daniel que dormira apenas 3 horas na noite anterior à viagem (o sono é importantíssimo ao ciclista) e a Hugo que perdera um irmão (nossos sentimentos) e pedalou boa parte do trajeto com momentâneas perdas de tração.
Até a próxima, amigos!
Total geral: 356km
Tempo gasto: 15h42min
Velocidade média: 23 km/h.
Marcos Roberto.



