Quarta-feira, Fevereiro 22, 2012

18 e 19/02/2012 - CRUZÍLIA (MG): uma aventura pelo circuito das águas.

A viagem longa de todo fim de ano não aconteceu em 2011 em virtude de contratempos às vésperas da época de festas. Adiou-se para janeiro e então para fevereiro por ocasião do feriado prolongado de Carnaval. Chegou o Carnaval e apenas três integrantes estavam prontos para a empreitada: neste caso, prontos não significa necessariamente treinados, como veremos a seguir.



1º. Dia- São Paulo (SP) – Brazópolis (MG)


Marcos e Hugo saíram às 06h45min e andaram em ritmo leve na Dutra até Arujá onde encontraram Daniel. Seu Zé, de carro, estava lá para prestigiar a partida dos amigos. O primeiro dia de Carnaval tinha como reflexo, um trânsito muito congestionado na Via Dutra (e parado na Trabalhadores). As bicicletas trafegavam em velocidade superior à dos veículos motorizados.


Alguns motoristas saudavam os “amigos do pedal”. No “Retão da Morte”, pararam para o primeiro lanche. Seguiram até São José dos Campos, onde deixaram a Dutra. Após o viaduto sobre a linha férrea, pneu furado de... Marcos!



Andaram pela cidade até o início da rodovia SP-050 rumo à Monteiro Lobato.


Poucos km após o perímetro urbano e pneu furado de... Marcos! Um reparo mal feito, outro reparo e então seguiram viagem. Pode-se afirmar que o trajeto nesta região é um dos mais belos para se pedalar: em vários pontos, a copa das árvores é tão frondosa que cobre a pista. O trio estava, em boa parte do trecho, sob um túnel verde. Nos poucos aclives que precederam a cidade de Monteiro Lobato, Marcos não teve condições de acompanhar a dupla e era esperado nos topos. Em Monteiro Lobato, lanche e hidratação: o calor estava forte. Dentro da cidade, trânsito parado de turistas. Saíram de Monteiro Lobato e mais alguns quilômetros chegaram a serra da Mantiqueira. É bom lembrar que esta rodovia é a Estrada Velha de Campos do Jordão. Os amigos estavam retornando ao trecho pedalado em 2000, mas dessa vez os 8 km foram um pouco mais difíceis de serem percorridos, principalmente para Marcos, que subiu com dificuldade. Daniel subiu à frente. Após concluir a escalada, desceram até o trevo que dá acesso ao Sul de Minas.


Uma pausa rápida em um quiosque e pedalaram sem muita dificuldade até Sapucaí Mirim, cidade onde almoçaram no Restaurante do Chulé. Apesar do nome, a comida foi saborosa e “cheirosa”.


Deitaram por 30 minutos e voltaram à pista. Neste ponto, Hugo passou e perceber um problema no núcleo do cubo traseiro: às vezes a catraca perdia a tração. Com a recorrência do problema, o trio passou a considerar o fim prematuro da viagem. Desde Monteiro Lobato a qualidade do asfalto estava perfeita para as magrelas. Passaram por São Bento do Sapucaí e depois por Paraisópolis.


Em 2000, com a equipe mais bem treinada e sem pneus furados, a cidade foi atingida às três da tarde. Desta vez isso foi conseguido às 17h30min. Hugo estava preocupado com a catraca, mas Marcos o convenceu a tentar ir a Brazópolis. De Paraisópolis à Brazópolis, foram 27 km de belas paisagens, ótimo asfalto e alguns topos. Chegaram exaustos e adentraram a cidade, simpática e bela como várias pequenas cidades mineiras. Marcos se informara sobre Hotel e passaram a procurá-lo. Brazópolis: cidade bonita, mas recheada de ladeiras com calçamento de paralelepípedos. Após passarem por duas ruas, perceberam a aglomeração de pessoas dançando com música em som alto. Sim, é Carnaval! Ao se aproximarem dos foliões, algo inusitado: moças quiseram experimentar as bicicletas, mães queriam tirar fotografias dos filhos sobre as máquinas: fazia tempo que a equipe não recebia uma recepção tão calorosa.




Enfim chegaram ao Hotel Visotto. Sem reserva, o jeito foi se acomodar em quartos sem banheiros integrados. Tomaram um bom banho e saíram para jantar. Marcos foi de lanche. A cidade estava em festa e os amigos passearam por quase duas horas, vendo uma parte do desfile.




Retornaram ao Hotel. Marcos até conseguiu dormir, mas Hugo e Daniel, muito pouco. O som da folia chegava intenso ao Hotel. Na alta madrugada, o batuque deu uma trégua. Hugo achou que finalmente iria dormir, mais eis que o bloco do Galo da Madrugada começou sua folia, passando inclusive pela rua do hotel. Isso, sem contar o barulho dos foliões que estavam hospedados. Tranquila noite de sono? Não desta vez.




Total pedalado no dia: 201 km
Tempo gasto: 8h12min
Velocidade média: 24,5 km/h





2º. Dia – Brazópolis (MG) – Cruzília (MG)


Acordaram às 6h20min. Despediram-se do simpático proprietário do hotel, tomaram um rápido café da manhã e foram para a rodovia.


Na saída de Brazópolis, um aclive para esquentar as canelas. Após a subida, uma boa descida. Com a temperatura amena e o relevo pouco acidentado a equipe parecia andar mais solta. Faltando 15 km para Itajubá aconteceu um dos momentos mais marcantes desta viagem (e talvez de todas as outras). Uma simpática cadela se aproximou dos amigos num momento de parada, quis e deu carinho. Até ai tudo bem. Mas quando o trio se pôs em marcha, ela passou a acompanhá-los. Não adiantava pedir para ela parar ou voltar. Ela estava decidida a fazer parte da trupe. Depois de 1 km pedalado, a cadela estava ali, correndo ao lado dos atletas, brincando no mato, latindo com o gado. Os amigos estavam impressionados. Veio uma longa descida (2 km). Era o momento de se despedir do animalzinho. Desceram em alta velocidade e cadela desapareceu. Após o declive um aclive médio e a surpresa: a cadela apareceu e com fôlego invejável, alcançou o trio: todos perplexos. Nunca um cão acompanhou os ciclistas por 5 km! Até onde a cadelinha iria?


Enfim, outra longa descida. Finalmente a cadelinha ficou para trás. Marcos, Hugo e Daniel haviam ficado comovidos e seguiram viagem, com a imagem da cadela em suas mentes.



Em Piranguinho, se depararam com um acidente: um carro fora fechado e caiu num rio. Bombeiros faziam o resgate e o tráfego era desviado. Muitos motoristas paravam no acostamento para ver o carro no rio.


Tomaram a BR-459 rumo a Itajubá. Marcos estava melhor que no dia anterior, mas ainda assim, mais lento que Hugo e Daniel. Em Itajubá, tomaram um bom café da manhã. Passaram por um bom trecho urbano e encontraram a rodovia que levava a cidade de Maria da Fé. Tempo bom e asfalto perfeito.






Nos primeiros quilômetros, um aclive de média dificuldade já deixou os ciclistas apreensivos. Marcos arriscou um passo mais forte e deixou a dupla pra trás. Veio uma longa descida onde passaram por uma vila. Era nítido o movimento de fiéis a pé no acostamento se dirigindo à paróquia do vilarejo.


No trecho a seguir, o entusiasmo de Marcos do aclive anterior acabou. A equipe prosseguiu e aos poucos a planície deu lugar a uma subida. E subida se tornou uma serra (daquelas de se respeitar). Marcos percebeu que suas forças haviam se reduzido e viu a dupla sumir à frente. Hugo, nitidamente em melhor condição, deixou Daniel para trás. No meio da serra, Hugo viu motorista de caminhonete parar ao lado de bica para pegar água e decidiu parar para abastecer a caramanhola. Daniel estava a 200m e Marcos a 1km. Todos se hidrataram e prosseguiram a subida. As posições permaneceram: Hugo na frente, Daniel um pouco atrás e Marcos muito atrás. Concluída a mais dura subida até então, a equipe prosseguiu e em pouco tempo chegou à cidade de Maria da Fé. Na entrada da cidade um pórtico dava as boas vindas e indicava a altitude de 1250 m.






Dobraram à esquerda e trafegaram por um trecho de paisagens deslumbrantes. Então veio um longo e perigoso declive. Marcos desceu freando. Hugo e Daniel desceram mais rápidos, mas bem cautelosos por causa das curvas e da inclinação da pista. Na ausência do uso dos freios, a velocidade subia rapidamente. Chegaram então à cidade de Cristina. Havia também anúncios de festa de Carnaval. Pararam para lanche e hidratação. A subida anterior à cidade de Maria da Fé consumira muito tempo. Abasteceram as caramanholas e deixaram a cidade. Um aclive médio e um declive. Placas indicavam que estavam na região da antiga Estrada Real.





No primeiro trevo que encontraram viraram à direita e poucos quilômetros depois passaram por Carmo de Minas.





O tempo estava parcialmente nublado, mas a temperatura estava acima de 30 graus. Chegaram à São Lourenço e ficaram boquiabertos com a beleza da cidade. É verdade que há diferentes maneiras de um local agradar a quem visita. São Lourenço, a principal cidade do circuito das águas mineiro é recheada de belos edifícios. Há muitos hotéis e turistas por toda a parte. Passeios de charrete, centros de compras e muitas outras atrações atraem os visitantes.




A equipe encontrou um simpático local para almoço. A comida não estava tão boa, mas cumpriu sua função naquele momento. Como estavam no centro da cidade, não tiveram como se deitar logo após o almoço. Saíram da cidade e prosseguiram. Dali para frente Marcos começou a se destacar nos aclives. Antes de Soledade de Minas mais um acidente: um carro capotado em uma subida. O motorista saíra ileso. Mais um trevo e pegaram a BR-267. Havia um posto da Polícia Rodoviária Federal. Mais um momento a ser lembrado: o policial fez questão de que os atletas adentrassem a base e pegassem água gelada. Convidou-os a descansar o quanto quisessem. Os amigos deitaram por 15 minutos na garagem das viaturas e depois, após muitos agradecimentos ao policial prosseguiram. Passaram por Caxambu e uma placa indicava 13 km para Cruzília.




Antecipadamente o trio comemorou a pequena distância que os separava do destino. Estes 13 km demoraram a passar e quando foram concluídos, os amigos perceberam que esta distância se referia ao trevo para a estrada da cidade. Faltava 9 km. E estes 9 km deram o que falar. Um aclive de 5 km pôs nossos heróis novamente de língua de fora. Marcos abriu uma boa vantagem sobre a dupla, mas perto do fim, foi alcançado por Hugo. Um declive e finalmente chegaram à cidade de Cruzília. Na entrada o título de Capital do Cavalo Manga-larga Marchador.




Desta vez sim, a comemoração era adequada. Na cidade compraram a passagem de ônibus. Saíram para procurar um hotel para tomar banho, mas o que encontraram foi uma rua tomada por jovens dançando ao som de música alta. Voltaram à rodoviária e foram apresentados por um taxista ao segurança do terminal (Márcio) que ofereceu um local para banho com chuveiro quente. Esperaram então pelo ônibus batendo papo com Sr. Vantuir, outro segurança da rodoviária que ficou contando fatos de sua vida e da região. Enfim o ônibus chegou e o fiscal não queria permitir o embarque de bicicletas. Com muita insistência, a equipe conseguiu convencê-lo. O ônibus partiu às 23h30min.



Pela primeira vez em viagens de ônibus, não foi possível parar em Cumbica e os amigos desembarcaram no Tietê. Lá, Jeremias os buscou e os levou às respectivas casas. Graças a Deus, mais uma viagem fora concluída.


Total pedalado no dia: 155 km
Tempo gasto: 7h30min
Velocidade média: 20,6 km/h



Cabe aqui uma menção especial a Daniel que dormira apenas 3 horas na noite anterior à viagem (o sono é importantíssimo ao ciclista) e a Hugo que perdera um irmão (nossos sentimentos) e pedalou boa parte do trajeto com momentâneas perdas de tração.


Até a próxima, amigos!




Total geral: 356km
Tempo gasto: 15h42min
Velocidade média: 23 km/h.




Marcos Roberto.

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012

12/02/2012 - BERTIOGA: Hugo confirma evolução e continua maré de azar dos pneus de Dramin.

Sábado chuvoso e a previsão do tempo indicava um domingo ainda mais “molhado”. A desistência do treino só não se confirmou porque Hugo queria estrear seu novo quadro.



Assim, saíram Marcos (Dramin), Hugo e Daniel rumo a Bertioga. Marcos havia trocado pela segunda vez seu pneu dianteiro. Com céu carregado e finíssima garoa, o trio seguiu adiante. Na descida do topo de Braz Cubas, Marcos (pasmem!) teve seu pneu estourado! E isso na primeira viagem com o componente.








Daniel costurou a parte danificada para que Marcos pudesse retornar. A dupla seguiu viagem. Andaram juntos o tempo todo. Desceram a serra com a cautela que a serra requer (vide Rafael). Lá embaixo tempo quente. Lancharam, visitaram a praia e iniciaram a volta. Hugo estava muito animado e iniciou a subida com Daniel na roda. Na curva seguinte, Daniel foi à frente. Após o mirante, Hugo segurou o passo e Daniel viu que não podia acompanhá-lo. Como há muito tempo não se via, Hugo demonstrava personalidade na imponente escalada de Bertioga. Aos poucos, “Dois Toquinhos” ia abrindo vantagem sobre Daniel chegando a desparecer do campo de visão. No aclive que antecede o Rio Sertãozinho, Hugo foi obrigado a parar. Com isso, Daniel o alcançou. Tomaram fôlego e concluíram a subida da serra num excelente tempo de 1h10min. No restante do trajeto andaram juntos. Tomaram o trem em Mogi das Cruzes. Hugo foi pego pela forte chuva já próximo de casa.


Antes disso, Marcos pedalou lentamente até chegar a sua casa. Em São Miguel Paulista, uma cena inusitada chamou a atenção de Dramin: um ciclista carregando um botijão de gás na cabeça. Subir Bertioga deve ser bem mais fácil que isso!








Até mais!



Marcos Roberto.

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012

05/02/2012 - Sol implacável para TERRA PRETA !!!




Em busca de aclives mais longos que os das últimas semanas, a equipe rumou para a rodovia Fernão Dias. Hugo, Marcos, Daniel e Nen andaram em ritmo leve no trecho plano. Antes da serra da Cantareira, dois ciclistas os ultrapassaram com pouca diferença de velocidade. Os amigos resolveram acompanhar e Daniel em dado momento foi para a ponta. Na serra, Daniel perdeu força e a dupla foi à frente. Nen passou a acompanhá-los e Hugo ia a 100 m de Nen. Marcos ficou na “lanterna”. Nen subia bem, mas depois reduziu o passo e foi ultrapassado por Hugo e quase por Daniel. Hugo por sinal parecia bem melhor que na semana anterior. Lá no topo o grupo se completou com a chegada de Pardal, que saíra atrasado. Começou a descida. Uma carreta superdimensionada descia a 40 km/h e toda a equipe foi à faixa da esquerda para a ultrapassagem. O acostamento da Fernão Dias continua sujo e irregular, mas a faixa da direita está em ótimo estado e, portanto, foi utilizada pela equipe.

Passaram por Mairiporã e veio a serra de Terra Preta. Havia grande tráfego de motocicletas esportivas. Na segunda curva após o posto de combustíveis, equipe médica da concessionária da rodovia fazia o resgate de motociclista acidentado. Hugo, Daniel e Pardal subiram à frente e Nen e Marcos mais atrás. Lá em cima o trio da ponta não esperou pelos irmãos e desceram até o segundo retorno. Marcos e Nen não sabiam onde estavam os amigos e fizeram a volta no primeiro retorno. Marcos ligou a Hugo e, sabendo que estavam mais à frente, com Nen voltaram à rodovia e foram também até o segundo retorno. No final da subida, Hugo aplicou fuga e não obteve reposta!

Em Mairiporã lancharam e se hidrataram bem. Daniel fez reparo em câmera. O sol estava muito quente. Foi a hora também de sacar o protetor solar. Antes da serra, já era possível sentir a altíssima temperatura. Pardal iniciou a subida em bom ritmo. Marcos foi para a roda de Pardal assim como Daniel. Após a segunda curva, Daniel não suportou o passo e viu a dupla se distanciar. Duas curvas depois e foi a vez de Marcos ver Pardal “ir embora”. Um pouco mais à frente Daniel ultrapassou Marcos. Nen também passou pelos dois e Daniel conseguiu durante pouco tempo acompanhá-lo. Pardal seguia na ponta. Hugo também passou por Marcos e por pouco não alcançou Daniel.

Desceram a serra e começou a sucessão de pneus furados de Hugo. Numa das ocasiões, Marcos ficou para ajuda-lo e os demais por causa de compromissos prosseguiram.


E dá-lhe calorão!

Total pedalado: 96 km



Marcos Roberto.